Publicado por: Joyce Galvão | Fevereiro 26, 2010

Tecnologia para surdos

Por Deborah Malheiros

Aconteceu no Rio o oitavo Seminário do Grêmio do Instituto Nacional de Educação para Surdos (GINES) cujo tema era: Acesso à informação, as novas tecnologias na vida do surdo. O evento é promovido anualmente pelos próprios estudantes pertencentes ao grêmio do INES, instituição que é centro de referência na educação de pessoas com deficiência auditiva. O local oferece várias atividades em seu espaço, localizado no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, entre elas: fonoaudiologia, prevenção à surdez, orientação familiar e ensino da língua de sinais. Há oito anos, através do grêmio estudantil, o instituto também realiza um Seminário, com o objetivo de conscientizar e informar a população sobre temas e novidades relevantes no segmento. Neste ano, o enfoque principal do evento foi como a tecnologia está melhorando a qualidade de vida dos surdos, que atualmente conseguem ter acesso a diversas facilidades, como os telefones especialmente adaptados, os aparelhos de fax e os celulares, com dispositivo de mensagem de texto.

Para Karin Strobel, presidente da Feneis (Federação Nacional de Integração dos Surdos) e uma das palestrantes do seminário, antigamente a sociedade dava mais valor à fala, desprezando a comunidade surda. “Entretanto, hoje em dia, as libras (lingua de sinais) estão muito mais popularizadas, ganhando espaço em anúncios e propagandas políticas. Graças a isso, os surdos conseguem se integrar mais”, completou. A palestrante frisou o papel preponderante da Internet nesse avanço da qualidade de vida, comunicação e mudança na vida dos surdos. De acordo com Karin Strobel, os surdos interagem muito através de sites de conversa e de relacionamentos, como MSN, Orkut e ICQ. “Mas não é só isso. Por causa da Internet, eles podem ter um maior acesso à informação, podem pesquisar coisas e aprender mais”, comentou. Entretanto, não são todos os portadores de surdez que conseguem usufruir das novas tecnologias oferecidas. Segundo a presidente da Feneis, falta ainda um projeto maior, que viabilize uma democratização no acesso dos surdos às novas facilidades. “Não há recursos. É preciso que, junto ao governo, projetos sejam elaborados para angariar verbas para educação dos surdos. Infelizmente, muitos ainda estão excluídos desse mundo digital”, afirmou Strobel.

Tradução e Closed Captions

O Seminário contou ainda com outras palestras, como a de Clélia Regina Ramos e René José da Silva, ambas da Editora Arara Azul (EAA). As duas são responsáveis por analisar e publicar materiais bilíngües, produzido para pessoas surdas. A EAA já traduziu para libras livros como Alice no País das Maravilhas (de Lewis Caroll), Pinóquio (de CarloLorenzi) e várias obras do escritor brasileiro Machado de Assis. Para Clélia, a primeira barreira que deve ser rompida pelo surdo é a da comunicação. Por isso, ela acredita que a leitura é fundamental para inserção no surdo na sociedade. “As Libras são melhores assimiladas se forem lidas. Para isso, é essencial que o surdo tenha acesso a livros traduzidos. A ampliação do uso da mídia digital também é importante”, contou Clélia, que primeiro publicou o clássico Alice no País das Maravilhas no formato de um vídeo interativo. Nesse Cd-Rom, o usuário podia ver tanto a versão escrita em português quanto a tradução para a lingua de sinais. Ainda na área da tecnologia, o Seminário promoveu uma mesa-redonda com Pablo Matos e Carolina Cambará, ambos monitores do projeto Oi Futuro, Augusto Costa, do CPL (Centro de Produção de Legendas) e Wallace Artur da Silva, aluno do INES e mediador do debate. Pablo e Carolina relataram como foi a experiência do Programa Continuado, uma parceria do INES e do Oi Futuro. “O papel do programa era apresentar o acervo museuológico para uma turma do INES poder tornar esse ambiente melhor e mais interessante para eles. E foi uma grande felicidade fazer isso, porque a turma abraçou o projeto, se envolveu, participou”, contou Pablo. A monitora Carolina disse que foi um grande desafio adaptar o espaço do Oi Futuro para portadores de surdez. “O Oi Futuro tem muitos estímulos que são audiovisuais. O bacana foi transformar esse áudio em uma coisa palpável e viável para pessoas surdas. Foi um grande trabalho, mas que valeu muito a pena, graças ao empenho desses jovens”, relatou. Já gerente da CPL, Augusto Costa, mostrou toda a trajetória percorrida pelas Closed Captions, espécies de legendas ocultas presentes na maioria dos televisores do país. Para conseguir visualizar o recurso, basta apertar um botão no controle remoto. Mesmo em programas ao vivo as legendas podem ser acionadas. A CPL é responsável pela colocação de legenda em diversos filmes e programas exibidos na TV brasileira. Segundo o gerente, em relação as tradicionais legendas, o maior benefício do recurso é oferecer ao surdo a possibilidade de saber até mesmo quando onomatopéias, músicas e melodias estão sendo utilizadas.

“Qualquer intervenção sonora vai aparecer como legenda, desde que as Closed Caption sejam gravadas com mais tempo de preparação. Em um programa ao vivo é impossível. Mas em filmes, por exemplo, isso já é uma realidade”, complementou o profissional.

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